O que é a “regra dos 10%” no YouTube?

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Citei no texto “Como avaliar o engajamento de um influenciador?” o termo “regra dos 10%”. Apesar de ser pouco falada, essa expressão é uma das mais utilizadas na hora de medir a proximidade entre youtuber e público.

Mas será que essa “regra” funciona mesmo? Bom, como todas formas de análise, vale a pena avaliar pontos positivos e negativos e casos em que devem ou não serem usadas.

O que é a regra dos 10%?

regra dos 10%

Ela diz que um youtuber com público engajado deve ter, em média, 10% ou mais do número de inscritos assistindo aos seus vídeos.

Ou seja, um influenciador com público de 100 mil precisa de no mínimo 10 mil pessoas vendo os seus conteúdos. Um de 1 milhão de 100 mil usuários, e por assim vai.

Você deve estar se perguntando: “Mas 10% não é muito pouco?”. Na verdade, não é. Todo canal tem uma gigante parcela do público com pessoas que não consumirão a maioria dos conteúdos.

São eles: “inscritos fantasmas” (aqueles que se inscrevem em canais e deixam de usar a plataforma), pessoas que só se interessam por alguns temas abordados naquela conta, usuários que se inscrevem em muitos canais e não conseguem acompanhar todos, sem contar o público que não tem tempo de utilizar a plataforma com tanta frequência.

As possibilidades de inscritos que não assistem aos seus vídeos são maiores do que aqueles que acompanham fielmente. Por isso, 10% é uma boa porcentagem.

Qualidades

Se bem utilizada, essa é uma excelente forma da analisar engajamento. Claro que não basta olhar um vídeo e já definir se o público daquele youtuber é fiel a partir desse conteúdo.

Como todo tipo de avaliação de performance, é preciso medir padrões a longo prazo. Por exemplo, é comum canais com quadros que se destacam muito mais que outros. Ou, até mesmo, vídeos aleatórios que multiplicam em várias vezes a média de views daquela conta.

Por isso, é necessário verificar o porquê dessas variações e se elas correspondem a engajamento de público ou se são provenientes de elementos de “sorte”, como alguém famoso que compartilhou aquela postagem ou um vídeo que viralizou por causa do título clickbait.

Dessa forma, como tudo relacionado à proximidade entre influenciador e público, é fundamental aprofundamento. Mas, como mecanismo simples de análise de engajamento, a regra dos 10% é bastante útil.

Problemas

Eu vejo dois grandes problemas na regra dos 10%, a falta da frequência e do tamanho do canal inclusos na conta.

Esses elementos são importantíssimos justamente por causa de alguns pontos (que eu ressaltei acima) para um inscrito não assistir aos vídeos. Um deles foi “público que não tem tempo de utilizar a plataforma com tanta frequência”.

Essa, que talvez seja a maior parcela dentro desse tipo de usuário, está diretamente ligada à frequência de postagem. Se o youtuber subir vídeo duas vezes por semana, possivelmente boa parte dessas pessoas assistirá. Se ele lançar conteúdo novo todo dia, será mais difícil desses inscritos acompanharem o mesmo ritmo.

Portanto, fica claro que os influencers que criam mais conteúdo tendem a ter uma retenção de público por vídeo menor.

Já o tamanho do canal é um ponto mais simples de explicar. Quanto maior o youtuber, maior a parcela de inscritos “mortos” ou que não conseguem o acompanhar constantemente.

Com isso, é muito mais difícil o Whindersson Nunes ter 10% do público acompanhando a todos os seus vídeos do que um canal com 350 mil inscritos.

Quando a regra não funciona

Porém, há casos que simplesmente devem desconsiderar a regra. No Brasil, não há exemplo melhor do que o Choque de Cultura e, consequentemente, outras séries da TV Quase.

Esse grupo de humor é muito singular, principalmente o Choque e o Falha de Cobertura. Primeiro, eles lançam seu conteúdo em séries, em formato de temporadas, em momentos específicos do ano.

Segundo, essas duas séries se tornaram muito maior do que o canal em si. Muita gente é fã delas, mas não faz ideia do que é a TV Quase. Até porque o Choque passa no canal do Omelete (que tem quase 2 milhões de inscritos a mais que a Quase) e o Falha sempre consegue parcerias com outros veículos (como Sportv e Uol).

E, por último, esse é o tipo de conteúdo viral. Basta uma pessoa conhecer e gostar para divulgar em redes sociais e pessoalmente para vários amigos que não fazem ideia do que é aquilo. Sem contar que, quem é fã do Choque já assistiu aos programas pelo menos umas 3 ou 4 vezes, certo?

Sobre nós

A influu é o ecossistema feito para influenciadores digitais. Com foco na monetização e profissionalização dos novos formadores de opinião, a empresa se divide em três áreas: criação de conteúdo para o blog, redes sociais e YouTube, realização periódica de eventos por todo Brasil e mediação entre influenciadores e marcas para campanhas de marketing.

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Tenho 21 anos e curso jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Sou criador de conteúdo da influu e cubro os eventos da empresa. Amo cinema e tenho um canal no YouTube, chamado 16mm, sobre o tema.

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